O teu dizer:
26.9.05
Oie!!!
A partir de outubro este blog estará desativado. Estarei hospedada provisoriamente no www.rasgosdemim.blig.ig.com.br
Entra que a casa é sua!!!
O teu dizer:
De Perto
Pude te ver melhor
de perto
com a boca
troquei com você
sentimentos e saudade
que palavra nenhuma
poderia alcançar
O teu dizer:
Terras Secas
Estou na fase de terras secas
e rios estreitos
As palavras gritam dentro de mim
se combinam em múltiplas formas e cores
revolvem minhas fragilidades
e sacodem meu corpo por inteiro
Brincando com a minha agonia
protestam e se deixam estar
imobilizadas e arredias
Camufladas nas dobras e rasgos do coração
escorrem ácidas e ferventes
manchando o papel cru
sem vestígios dos sentimentos ou encantamentos
que tomam conta de mim
O teu dizer:
14.9.05
Sede
A minha boca seca
pela sede da tua
exige que tu me devores
com teus beijos quentes e indecentes
O teu dizer:
6.9.05
Meu poema
Quero te poemar todo
com a boca
com as mãos
recolher cada letra
que vai brotando do teu desejo à flor da pele
e te rimar com meu corpo em brasas
O teu dizer:
Tua mão
A tua mão me adivinha
percorre meu corpo
lê a minha história
dissolve marcas distantes
e demarca territórios
O que será de mim
quando tua boca
devorar a minha?
O teu dizer:
1.9.05
Mergulho
E pensar que os rios
que mergulham indecentes
no mar doce e efervescente
desaguam em castidade!!!
O teu dizer:
31.8.05
Vibração
Já não respiro sem sentir a vibração
dos fonemas do teu nome
dentro de mim
Quando te inspiro
a força da tua presença
aperta a minha garganta e
vasculha minhas entranhas
arfando, meio tonta
deliro ardendo de saudade
solto o ar lentamente
com medo de perder
qualquer preciosa nota
da música que você toca em mim
O teu dizer:
26.8.05
Energia
O que emerge de mim
Quando penso em você
Que não é um retorno ao passado
nem um mergulho no futuro?
De onde surgem os elementos
Que se articulam
De várias formas e cores
E me inundam de sensações e pensamentos
Que são dirigidos a você
Fazendo com que uma energia em ebulição
Me suba por entre as pernas
E encharque o meu coração
Desesperadamente vazio
E paradoxalmente
Repleto de você?
O teu dizer:
24.8.05
Em mim
Teu corpo
no meu corpo transpassado
explode em mim
tempestades passageiras
Rompendo comportas
Espalha na fronteira de nós dois
sensações e plenitudes
No roçar a minha pele
quente e arrebatada
tua boca desliza
e localiza arrepios e protuberâncias
e arranca gritos incontidos
em espasmos e delícias
Com os corpos misturados
transubstanciados
almas orgásticas e libertas comungam
do inesgotável alimento do amor
O teu dizer:
13.8.05
Terras estrangeiras
Impregnada de você
vadio o olhar
à procura de igualdades
sempre abundantes
agora inexistentes
Marcada pela força da tua mão impetuosa
que no escuro me desnuda e alisa
experimento delícias estrangeiras
Com a boca inundada do gosto da tua
perplexa, arrebatada
me refugio em terras de outra gente
ardente, fervente
doida para te aninhar em mim.
O teu dizer:
8.8.05
Reflexo
Nas linhas da minha fantasia
desenho milimetricamente teu corpo
percorrendo cada canto
cada encanto
e sinto em mim refletido
o teu contato aglutinado
que joga na pele
o cheiro do afago
e deixa a boca salivando
desejos e sabores
O teu dizer:
1.8.05
Dói
Dói como queimadura de cigarro
Rasgando a pele
Anestesia pelo álcool
Dói como picada
de agulha enferrujada
Conduzindo a droga maldita
Ao topo da cabeça
Dói doído
Doloroso dolorido
Dói e não passa
Me arrasta
Descompassa
Dói como cio de cadela
Trancada no fundo do quintal
Dói como o último gole
Que o corpo rejeita
E devolve
Dói por dentro
Queimando o estômago
Arranhando a garganta
Ai, como dói
A tua ausência
O teu dizer:
25.7.05
Partidos
Não vivo de Partidos
Vivo inteiramente de inteiros
sou um peixe fora d'água,
morrendo afogada
buscando o ar
para entender tanta discussão
para se chegar a um acordo
Sou dos acordos
que promovam mudanças
e se concretizam
pelo desejo comum
de sair do lodo social
Não gosto de capturar
palavras laçadas ao vento
porque elas perdem a força e a concordância
Preciso de palavras simples e fortes
que me convençam
e não me façam perder meu tempo precioso
As pessoas criam regras e cláusulas
e nelas se perdem
Falam bonito
com a segurança de doutores
mas não atingem
as massas que precisam
de saberes mastigados
dissolvidos em ações reais
Quanto tempo se perde
com dizeres contraditórios
que na maioria das vezes
não têm objetivo algum
a não ser o de aumentar
a discussão sobre o nada, do nada e pra nada
Quero a minha simplicidade
misturada com outras tantas simplicidades
para aumentar a grandiosidade do fazer
O fazer não precisa de texto ou estatuto
Precisa de coração aberto
e mangas arregaçadas
Precisa de amor ao próximo
ao distante que nunca é alcançado
Quero botar a minha mão no fogo
e assar o pão que mata a fome
Quero ferir minha mão na pedra
se dela puder fazer brotar água
para matar a sede deste povo
que é sempre tão lembrado
em versos e prosas
mas que continua carente, abandonado
rejeitado e sozinho
não quero ser Partido
para estar partida
Quero estar inteira, completa
para não desintegrar
quando quiser compartilhar.
O teu dizer:
14.7.05
Menino encantado
Para o Touché
Não é encantado
só porque encanta
Mas é encantado
porque sabe encantar
mesmo que às vezes traga
tanto desencanto no olhar.
O teu dizer:
7.7.05
Por quê?
Por que foi abrir as portas
romper comportas
deixar exposto meu coração?
Por que me deixou à deriva
e afogou no peito
tanta emoção?
Por que me lançou da ponte
sem alcançar horizonte
e me tornou escrava
da tua própria solidão?
Por quê?
O teu dizer:
No tempo
Dá pra se definir?
Sair, dançar, amar, curtir?
Dá pra descer do muro
do escuro, do seguro, e se permitir?
Dá pra mergulhar no sonho
sem determinar o tempo
do ir e do vir?
Dá pra pensar em mim
que sem você
já não posso seguir?
O teu dizer:
29.6.05
Recomeço
Nos braços
um abraço destronado
Na boca
palavras incontidas
palavrões
No peito
uma certeza nasce
já é madrugada
é preciso recomeçar
O teu dizer:
24.6.05
O meu Olhar
O meu olhar vazio
Cansado, ardido
Te adivinhando nas paredes brancas
Onde você aparece
Meigo e menino
É o flagrante da tua presença em mim
Às vezes aflito
Te persegue
Quando te perde
No ir-e-vir do pensamento
Calmo e brilhante
Brinca com as lembranças
Que de tão fortes
Escorrem salientes
E me encharcam de saudades
Na rua te procura
Nos olhares que com ele curzam
Mais tarde
Ele, o meu olhar
Já bandeira de sono
Continua te buscando
Nas paredes alvas e frias
Como se tivesse medo de dormir
E nunca mais te encontrar
O teu dizer:
10.6.05
Toda vez que penso em você
Uma alegria
surda e escandalosa
Toma conta de mim
O teu dizer:
13.5.05
Fantasma
Você surge do passado
Vem sem avisar
Me deixa paralisada
Tonta
Sem saída
E a única solução
É te amar
O teu dizer:
4.5.05
Última Gota
Transbordei inteira
sem eira nem beira
Fazendo qualquer besteira
Para te ter em mim
Transbordei suave
Sentindo cada gota
Que de mim escorria
Transbordei sofrida
Abrindo a ferida
Do me dar sem limites
sem palpite
Sem alpiste
Para alimentar meu vôo.
O teu dizer:
18.4.05
Você
for you Jeff
No meu pensar você
Meu corpo ressente
reminiscente
pontadas pungentes
em todas a sua extensão
O desenho de tua boca carnuda
aguando meus caminhos e curvas
acende em mim febres e delírios
Tua mão
nas dobraduras do meu te sentir por dentro
arrasta ondas e calafrios
Ensurdecida pelas letras do teu nome
que se espatifam na ardência do meu corpo
chego ao topo do meu te querer
umedecida e esgotada
doida para te amar novamente
O teu dizer:
16.4.05
Doçura
Bastou a tua voz macia e rouca
roçando o meu ouvido
pronunciar meu nome
com suavidade e doçura
numa vibração mágica e envolvente
para que o meu discurso diagramado
perdesse totalmente o sentido
O teu dizer:
2.4.05
Paixão
Você passa
Me embaraça
Me descompassa o coração
Você sorri
Me faz sentir
Se vacilar
Perco a razão
Você seduz
E me induz
A suportar a solidão
Você reluz
E me conduz
Pelas vias ardentes
Da paixão
O teu dizer:
31.3.05
Hoje
Bendita sensação de ter o mundo nas mãos
entre as pernas
Frágil desejo de ver exposto
aos quatro ventos
tudo que vem de dentro
tudo o que a pele exige
não, não me diga que estou sonhando
que pouso lunática sobre as estrelas
Deixe que eu perceba sozinha
que não é você a quem viso
Deixe, meu bem, que eu ria deliciada
deste meu momento de bobeira
Amanhã é outro dia
lindo e ensolarado
Só que o meu hoje está sendo você
e eu quero vivê-lo intensamente
O teu dizer:
30.3.05
Por quê?
Por que ainda insisto
em alimentar fantasias
se não há qualquer indício
de algum laço entre nós?
No entanto, por que
a cada ameaça de desligamento definitivo
você ressurge e me paralisa
alimentando minhas esperanças
desnutridas e desnorteadas?
Por que a mesma força
que nos aproxima
nos afasta e nos protege
do que pede urgentemente
liberdade de expressão?
Por que amá-lo
me descompensa tanto
e viver sem você
é desespero e solidão?
Por quê?
O teu dizer:
29.3.05
Amar
na cama
na grama
na lama
o importante é amar
sem grana
com gana
cheio de cana
o importante é se entregar
me ganha
me assanha
lambuza
e arranha
mesmo que mais tarde
por outra
você tenha que me deixar
O teu dizer:
28.3.05
Homem encantado - Jota do Nascimento ( Vereador e Radialista de Santo Amaro da Purificação - Ba)
Onde anda você, meu velho amigo?
Em que estrela descansa seu corpo suado
cansado das lutas que travou em
em defesa de um mundo melhor?
Imagino você no céu
com suas inocentes travessuras
assanhando até os anjos
com um toque de ternura
Levei dias intermináveis
para te dar o meu adeus
porque o coração se recusava a admitir
que a morte venceu a sua determinação
desfalcando aqui na terra
o time dos homens dignos e puros
que vivem livres e simplesmente
provando das delícias que a vida oferece
sem esquecer jamais dos carentes e oprimidos
Sempre te admirei muito
você não tinha idade
simplesmente se moldava no tempo
em que os fatos aconteciam
Às vezes era o orador
o homem público, maduro e ajuizado
querendo resolver
todas as questões do mundo
Às vezes era cantor
locutor e trovador
brincando com as palavras
enchendo nossos corações de alegria
Mas às vezes era menino
que se assustava com a vida
tinha medo da maldade, da miséria
e da falta de amor
que destrói e isola as pessoas
Também ficava nervoso
enfurecido gritava:
"que disordi!"
e todos sabiam
que a briga seria feia
mas também sabíamos
que o furacão em alguns minutos
estaria em paz
cantarolando "chora viola"
como se nada tivesse acontecido
Ah, que saudade, meu amigo!
saiba, contudo,
que onde quer que esteja
independente do tempo e do espaço,
você estará no meu coração e na minha história
Para os meus filhos e netos
hei de contar
se Deus antes não me chamar
as bravuras de um homem encantado
ou simplesmente JOTA
O teu dizer:
saudade III
Saudade é coisa perdida
que tempo nunca mais traz
mas também é esperança
sentada na beira do cais
O teu dizer:
Saudade II
Saudade não manda aviso
saudade vem sem permissão
saudade é um bichinho
roendo meu coração
Saudade I
Saudade é palavra escolhida
quando penso em dizer
que tudo que tenho no mundo
se resume em você
O teu dizer:
Sem você
Não queria escrever agora sobre você
no momento em que meu coração
está sufocado
lutando pelo ar que purifica
Queria falar de você e pra você
quando estivesse embriagada
pela tua presença
enlouquecida pelo teu amasso
suado e macio
mas a minha dor
está na constatação
de que o vento
que te trouxe para os meus braços
te levou embora
com a mesma velocidade e determinação
não nos dando tempo
para descobrir um no outro
o elo mágico, mesmo que efêmero
dos nossos pontos em comum
dói como se uma navalha
me cortasse de ponta a ponta
a dor escorre do não vivido
da morte do que nem ao menos foi semente
mas revolveu e impregnou a terra umedecida
o meu desespero é estar sem você
O teu dizer:
Do passado II
Lá vem você
abrindo, rasgando
o espaço que já foi tão seu
mas que anda ocupado
por tantas e outras insignificantes coisas
Quanto tempo?
Não sei
Não tenho pensado em você ultimamente
às vezes você me surge inesperadamente
como um lembrete
de que as coisas não se resolvem assim
da noite pro dia
num toque de mágica
E aí eu adio esse pensamento
arranjo uma desculpa
e sigo em frente
devagar e curvada
carregando o peso
da tua ausência em mim
O teu dizer:
26.3.05
Do Passado I
Lá vem você de novo
Justamente agora
Quando eu começava a me estruturar
Não consegui ocupar o vazio
Que a tua ausência cavou em mim
Apenas fui em frente
Desenvolvendo outros sentimentos
Tentando aperfeiçoar o meu contato
Com o mundo lá de fora
Pensei que havia superado esta fase
Esta estase
Mas bastou um toque
Um afago
Para que eu perdesse o ar de valentia
Tão meu e tão tolo
E agora?
O que fazer com esse sentimento
Que goteja de mim
E encharca e mancha
Todas as possibilidades
De seguir sem você?
Como te negar?
O teu dizer:
25.3.05
Fragilidade
Uma ligação
uma palavra mal colocada
um hiato
um ruído
o silêncio
e o conflito inteiro vem à tona
trazendo dores antigas
sedimentadas
nos rasgos do coração
O teu dizer:
Criança
Se eu não te dou segurança
O que dirá você da minha criança
tão tola às vezes
tão sem caminho
tão sem o sol
dos seus doces carinhos?
O teu dizer:
24.3.05
Esgotar
Não é amor, garoto
É uma sensação danada de gostosa
que vem por todos os lados e me deixa louca
É a necessidade imperiosa de ser tocada, devorada por você
sem sufocar o peito com incertezas
Não quero você eterno
porque este meu sentir tem um tempo,um intento
não dá para desperdiçar
Já estamos limitados por estarmos distantes
e divididos entre outras pessoas
que não poderiam entender
que o que vivemos agora é esgotável
porque somos tão iguais que nos perdemos
e amontoamos pedras para proteger do amor
o território do coração
O teu dizer:
23.3.05
Carta ao meu amor distante
Hoje não pensei em você como tenho pensado o tempo todo, quase que na mesma freqüência em que o ar entra e sai de mim. Hoje relaxei o meu coração abafado, sufocado e esmagado pela tua ausência (presença tão reclamada);
Hoje sofri menos, porque preenchi as brechas de você com pequenas e grandiosas coisas minhas. Revitalizei meus achados e tirei a poeira dos meus sonhos preguiçosamente escondidos.
Vi que posso caminhar capenga, curvada, mas cheia de entusiasmo e esperança, mesmo sem você ou apesar de você
Vi que você é presença quase que material, quando te toco no meu pensamento. Mas já não sinto a pontada da lança afiada da distância que nos separa, que já me cortou inteira, sem clemência.
Posso dizer que te amo, porque me encontro no labirinto em que caem todos os amantes.
Posso dizer que não vivo sem você, porque sem você não tenho o ar necessário para a minha sobrevivência. Você me tira o fôlego.
Posso dizer que te amo, porque as pessoas já não me alcançam, sabem que estou ali, mas não conseguem atear fogo no meu coração.
Preciso entender que coisa doida é essa que não me deixa ir além de você, mas que rasgaria horizontes para te ter por perto.
Gosto de você com inteireza e sem dobraduras, mas abro mão de você para cuidar de coisas do meu resto de vida, mesmo que essas coisas percam a razão de ser por causa do eco que reclamam de você.
Gosto de você triturado, porque nunca te tive inteiro, mas os nossos rasgos de amor se tornaram um todo quase que indivisível.
Às vezes tento juntar os pedaços dos momentos que vivemos, para contar uma história, mas o fim, sem meio, engole o começo: um começo imenso, intenso, cheio de promessas e comprometimento, mas o começo que um sopro desintegrou e fez ventar forte, sem deixar vestígios palpáveis, somente dores e apertos pelo corpo
E como você me apertou! E como você me beijou, macio e devagar, puxando de dentro de mim segredos e sentimentos que nunca tiveram tão expostos. E eu gostei, delirei...
Gostei e percebi que eles, os teus beijos, eram o que me enfraquecia as pernas e fortalecia o meu coração.
Como gosto do teu contato, das tuas mãos vacilantes e bobas.
Como me faz bem essa pontada aguda cada vez que choramingo, quando meu corpo por você estremece.
Como sinto tua falta, meu bem!
Mas, agora, como te encontrar, se fisicamente 1 ano se passou, mesmo que o amor tenha resistido e seja atemporal?
Não te esqueci. Mas esqueci de te salvar em mim. Então, te perdi, sim, mas te preservo intacto dentro de mim.
E nesses achados e perdidos, sigo à deriva: ora transpirando você e muita vitalidade e paixão: ora infiltrando sentimentos e salivando o amargo desgosto de te ter perdido..
Se isso é vida, que haja em mim força e coragem para seguir sem você.
O teu dizer:
21.3.05
É amar sem eira nem beira
mas que esbarra nas tuas limitações
O teu dizer:
Borboleteando
Borboleta cega
Em vôo errante
buscando o contato
com a flor que excita
e alimenta sonhos e fantasias
É assim que me sinto
quando toco em você...
O teu dizer:
se
Se você fosse diferente
Se entendesse mais a minha cabeça
Se fosse livre, leve e solto
Se percebesse que o amor se multiplica
quando se divide
Se você falasse mais
E me fizesse imaginar menos
Se predominasse a alma
E o corpo fosse complemento
Se eu não estivesse tão sozinha
E vazia de sentimentos
Acho que você seria
O homem da minha vida...
O teu dizer:
19.3.05
Indivisível
Você está vivo
múltiplo e indivisível
em cada milímetro de mim
O teu dizer:
Emerge de mim
o grito de saudade
que o meu coração
por tantas luas sufocou no peito
Emerge vigoroso
tempestuoso
afastando qualquer barreira
que a minha energia paralisada
construiu entre nós
Vem retalhado
maltrapilho, maltratado
mas vem determinado
inflexível na sua escolha
vem e me energiza
ressexualiza
explodindo sem medo
sem deveneio
sem esperar te encontrar sintonizado
ou carente do meu afago
mas vem disposto
preparado para o embate
buscando o teu eco
mesmo que seja
uma última vez
O teu dizer:
Sobrevivência
Não quero dormir e anestesiar a tua presença em mim
Não quero fugir disto
Que descobri lindo e maravilhoso
É o gostar sem fronteiras
Sem jogos ou definições
E sem beijos na boca
É o gostar macio
O fio da minha sobrevivência
Estou mal e bem
Mal por não ter mais você
E bem por ter me descoberto
Através do meu te gostar
O teu dizer:
8.2.05
Se Você Soubesse
Penso em você em segredo
às escondidas te busco
pelos becos e atalhos,
seguindo o teu cheiro
ouvindo o teu pulsar...
O teu dizer:
Força
Se não somos capazes
de empregar a mesma força que nos afasta
para salvar a nossa relação
então é melhor esquecermos o que temos em comum
e afogar no peito todas as nossas possibilidades.
O teu dizer:
Um copo na mão
um papel em branco
e um coração lotado
de coisas para dizer
O teu dizer:
Tempestade
Onde há melancolia
há um coração morrendo afogado
Onde há esperança
há um coração lutando para se salvar
Onde há amor
há um coração feliz e sossegado
Onde estou
chove torrencialmente
O teu dizer:
Desespero
o meu desespero
mergulha fundo em mim
quando procuro portas
para escapar de você
e sempre as encontro fechadas
O teu dizer:
Grandes Perdas (Menção Honrosa no concurso do site www.fmpoesias.no.sapo.pt)
Perdi numa palavra
A expressão do meu amor
Perdi na minha insatisfação
A paciência e a sabedoria
De quem precisa saber esperar
O rolar e o encontrar das pedras
Perdi você na velocidade da conquista
No ar, no bar,
Na dificuldade de explodir o peito
E gritar impropérios
Perdi você por te procurar demais
E te encontrar sempre pela metade
Na postura de quem vem sempre inteiro
Até compreendo teu lado
Mas estou este tempo todo
sem me ver
Sem me buscar
Em coisa alguma
Transpus o suportável, o imponderável
E não vi nenhum elo real
Do que nos engrena
Me vi como peça
Que emperra qualquer outra engrenagem
E aí nada acontece verdadeiramente
Em qualquer um dos quebra-cabeças
Que você monta e desmonta no teu jogo
Com a vida e com o teu coração
Neste quebra-cabeça
Tive o meu encaixe perfeito
E me desfalquei no quebra-cabeça
Da minha própria vida
Pois as peças não me pertencem
E são de outro cenário
Perdi você,
Porque te perdi no peito
No jeito de te amar
Chutei o balde
E o pé ficou tão danificado
Que nenhuma palavra ou passo
Pôde ou poderia resgatar
O que escorria do balde furado
Perdi você
Porque não há reparos possíveis
Que não sejam pra sempre visíveis
Como cicatrizes de cirurgia de coração
Perdi a razão, por isto te perdi
Porque o meu lado compreensível
Amigável, conciliador
Deu lugar à descoberta
De que eu nada sou
Nesta brincadeira de se deixar queimar
E contagiar pelos atropelos
E devoramentos do amor
Perdi você num último afago
Sem guardar na boca a mordida
Do beijo derradeiro
Perdi você inteiramente
Para não deixar os fragmentos
E cacos me rasgarem por dentro
Mas não saí inteira
Porque me perdi também
Perdi a referência, a estrutura
E tento secar o sangue
Que goteja de mim
Sem qualquer possibilidade
De ser estancado até que de mim
Dor e amor escorram
E me ressequem por dentro
E me façam perder
O sopro do meu te viver sofrido e entrecortado.
O teu dizer:
Contra
Lutando contra
já é luta a favor
Meio na bronca
já declaro o meu amor
Ainda tonta
eu salivo o teu sabor
De ponta a ponta
vou sentindo o teu calor
No fim das contas
solidão e muita dor
O teu dizer:
21.12.04
Sem Limites (Homenagem ao Dia Internacional das Mulheres no site www.poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net)
Tudo em mim pulsa
Arrebentando o limite
Da minha adequação
Eu por você
transbordo de significados
Através da boca que queima
E do peito que arfa
É o momento da conivência
Com o lado que limita
Que se deixa dominar
por tudo que excita
Queria te ver agora
Nesse exato momento
E te devorar
Com a minha saudade
O teu dizer:
4.12.04
Possibilidades
Envolvida por tantas possibilidades
Cercada por excitações e destemperos
Que poderiam colocar o freio
No sentir que perdeu a rampa
E rolou ribanceira abaixo
Sair lanhada
Sem trazer cicatrizes de prazer
É pular no abismo
Sem asas para amenizar a queda
Buscar você agora no pensamento
É remexer no baú empoeirado
De um passado que insistiu tanto
Em ser eternamente futuro
Sem qualquer chance de ser presente
Sair sem rasgos é tentar evitar o primeiro gole
Evitar o primeiro gole
É me afogar na angústia que o álcool anestesia
Anestesiar a pele
É conseguir caminhar alguns passos sem você
Caminhar com você é andar na contramão do próprio sentir
Caminhar sem você é não sair do lugar
É parar e esperar
Que a vida ponha na boca
O mel para anular o fel
Que escorre e puxa para fora do peito
Os sentimentos já espatifados
Por pedradas imprudentes
Mas o que exigir da vida
Se a vida é a construção da própria boca
Que beija e arranca arrepios, calafrios
E bloqueia qualquer forma de defesa
Indefesa estou, dependente de você
Do teu abraço, da tua boca molhada
Que desce e encharca o meu pescoço,
Ouvindo o pedido do corpo
Que te quer por inteiro,
Fora e dentro,
Nu e cru
Mas o mesmo verbo que te grita te rejeita
Porque já não aceita estilhaços de paixão,
Beijos que se formam inteiros depois de muitas lambidas
Abraços que só são acolhedores,
Depois de frouxas apalpadelas
O corpo não agüenta a hora marcada
A falta injustificada
A ligação que não se completa
O corpo quer plenitude
Por isso se mutila, se aniquila
E aguarda o próximo afago
Que não vem
Que não é direcionado
Já vem retalhado, dividido na metragem certa
Sem direito à saideira
Agora, o que fazer da migalhada?
Fugir para um canto da mente racional
Ou cair dentro,
Buscando o ar cá de fora
Para dar conta de tanta urgência de dentro?
Quem é você afinal?
De onde surgiu que me tirou o fôlego
Sem eu perceber?
Por que amarrou nas tuas as minhas mãos
Que poderiam arrancar o mal pela raiz?
Eu quero um culpado
Mas em quem colocar a culpa por todo esse meu sentir
E que esquisitice de sentir é este
Que não existia há um mês
Mas que se torna um buraco imenso e escuro
Toda vez que te busco e não te alcanço
Ou não te encontro por perto?
O teu dizer:
29.11.04
Entrega Parcial
Quero me deixar cair
Nesse teu abraço ardente
Indecente
Mesmo sabendo que ele já não aconchega
Quero que a minha boca
Seja devorada pela tua
Mesmo sabendo que ela não cospe flores
Nem palavras verdadeiras
Quero tuas mãos salientes
Envolventes
Percorrendo meu corpo
Mesmo sabendo que teu toque
Já não traz tanto conforto
Porque só assim
Eu não mergulho nessa relação
Fico na borda
Espreitando
Arriscando molhar os pés
De vez em quando
Para logo retirá-los
Quando houver
Ameaça de tempestade
O teu dizer:
18.11.04
Você e Eu
Será que você sofre
O sofrimento
Que sofro intensamente?
Será que há troca
No silêncio que angustia
Da minha energia com a tua?
Em quem você pensa neste momento
Quando só há você no meu pensamento
E um profundo lamento
pede pra você voltar?
O teu dizer:
16.11.04
Homem
Gosto de me sentir sozinha
Nestas horas desligo os controles da mente
E deixo o meu pensamento fluir livremente
Evitar pensar no que passou
E só deixou mágoas, seria o ideal
Encher a cabeça com novas idéias e planos
Nos ajuda a juntar os cacos do coração
Mas pensar seriamente sobre o que foi negativo
Faz-nos mais fortes e melhores
Porque é a dor a dose de fortificante
Que a alma mutilada necessita.
A dor amansa e humaniza
A dor reanima e cura o coração
Despedaçado e infeliz
Quando o peito tira o luto e vai à luta
Se descobre puro e sem ressentimento
Esgotar a dor de uma vez por todas
No lugar de sofrer aos poucos e eternamente
Por isso penso em você agora
Deixo-o passear sem correntes repressoras
Dentro de mim
E você me percorre
E por meus poros escorre
Toda a impureza que a sua presença covarde
Depositou em minhas entranhas
Não te amo mais
Se verdadeiramente te amei um dia
Não te quero mais
Impregnando com seu cheiro adocicado
Os meus lençóis
Não te quero mais relaxado colado ao meu corpo
Quero-te longe
Quero-te inamigo
Porque preciso de um verdadeiro homem
Para dormir comigo.
O teu dizer:
13.11.04
Trilhos Paralelos
Escrever sem ritmos, sem lógica, sem pontuação
O importante agora é escrever
falar de mim no que diz respeito a você
Escrever quando não se pode falar
Quando é proibido gritar
O que dói e explode por dentro
Quero cuspir as paravras que sufocam
E arranham a garganta ressecada
Espatifar a garrafa pois a sede é tanta
Que paralisa a língua que quer praguejar
E acudir o que sinto
Às vezes tão sem propósito, tão mal localizado
Quero prosseguir porque prosseguir significa luta
Por melhores dias
Espaço mais amplo
Amor mais à flor da pele
Prosseguir é continuar apesar de tudo e de todos
Como explicar isso tudo que acontece tão dentro
Tão bússola de novos caminhos?
Tentar explicar o que me guia, me arrepia
O que tarda mas está sempre presente
No teu olhar
Na tua pele quente, ardente e macia
No mistério do teu gostar
Encosta o teu coração no meu
Para que esse te fale em sua própria linguagem
O que as palavras carregadas de concordâncias e medos
Não podem traduzir
Deixarei que me adivinhe
No brilho do meu olhar pidão
Alagado de carinho
Sem nada pedir
Por saber que somos dois rumos
Que se encontram em trilhos paralelos
E se espreitam por janelas embaçadas
Esperando, aflitos, as próximas horas, dias ou meses
para outra vez preencherem o vazio
Que o tempo e a distância hão de conservar entre nossas vidas.
O teu dizer:
3.11.04
Paz l
Palavra pequena, monossilábica
mas de tantos significados
É difícil entender por que o simples Z final
faz tanta diferença
se for com S o significado muda
vira plural de pá
embora pá tenha a ver com Paz
pois pode construir
abrir espaço entre o velho e o novo
tapar buracos
trazendo a terra fértil do amor
da generosidade e solidariedade
porém pegar a pá e lutar pela paz dá trabalho
compromete
quem caminha na contramão dos conflitos humanos
O certo é que todos a querem
infelizmente poucos sabem conquistá-la
Paz II
Basta você vacilar
trocando o Z pelo S
que a PAZ vira instrumento
que tanto pode ser usado
para construir ou destruir
Quando você for falar de PAZ
Verifica se está empregando o Z ou o S
Se for o Z
esforce-se para que suas palavras
alcancem quem realmente precisa de PAZ
ou não acredita que ela é possível
O que você quer?
Reconstruir o mundo esburacado por guerras
ou enterrá-lo nos escombros que restam
da indiferença e do desamor?
Use esta palavra com sabedoria
Com z ou com S
O teu dizer:
2.11.04
Você
Vou em frente, sim
com a minha besta ousadia
viver fundo
minhas tantas e tamanhas urgências
Não vou permitir desta vez
que estes desencontros
ponham fim
ao que ainda
não deu frutos nem sabores
Sofrer por sofrer
é melhor sofrer por causas definidas
mesmo que amanhã elas não sejam tão determinantes
Hoje não dá para virar a página
e esquecer um amor
que já fez sua história
Gosto de você meu bem
gosto da tua fala mansa e cativante
gosto da tua mão me adivinhando
e largando em mim teus prazeres
gosto do teu olhar
que me observa
e tece teorias próprias
às vezes tão apartadas
daquilo que projeto em você
Adoro quando minhas bobeiras
te fazem perder a linha de raciocínio
por vezes tão calculado
que se perde da imagem
que desenho de você
Você doce, mas experiente
frágil, mas determinado
Adoro você
que tantas vezes apertei
num abraço meigo e cheio de saudades
quero você na definição que tenho de querer
sem amarras ou mutilações
Te vejo inteiro, mesmo dividido
Eternamente o meu amor
mesmo que não seja em profundidade
e já repartido com outros amores
O que importa é agora
esta ebulição nas veias do meu sentir
que me queima e me rouba o sono
Você, hoje, no meu resto de dia
porque você se perde de mim
quando mistura as estações
e tenta salvar tudo
mesmo sabendo que diariamente uma parte em nós morre
para que outra sobreviva
Você no apagar das luzes
na derradeira entrega
Você página exaustivamente lida do meu folhetim
Você que não vem
mas ameaça com sua presença
Você meu tesouro e jogo de roleta
Você achado entre meus perdidos
docemente você
O teu dizer:
20.10.04
Faíscas
Numa noite
faíscada de orgasmos múltiplos
descobri o meu elo
na tua carne apodrecida
pelo uso indiscriminado na orgia
onde o sentimento não se envolve
nas exigências dos corpos
descobri em você um fundo falso
onde o que você é
mesmo que só pra você
está desviado e defendido
de toda e qualquer possibilidade de amar
e de tudo aquilo que faz parte da tua procura
E por te descobrir
me retraio
porque por você não posso fazer nada
sem arriscar em envolvimento
sofrido e irreal
Louise Tommasi
O teu dizer:
Alma Vazia
Mais um cigarro
cinzeiro cheio
alma vazia
Mais uma tragada
agonia doendo dentro
queimando, dilacerando
Tanta solidão
E você onde anda?
Na noite estrelada
escurada de tanta imensidão
distante, perdida me sinto
Sem você
sem seu olhar pidão
sem sua boca
sem seu corpo suado de prazer
Ai como dói
e o buraco aberto no peito
alagado, mofado
infiltrado pelas lágrimas
que não me encharcam o rosto pálido
E você que não vem
que não em salva da angústia
de me sentir metade
do que tenho para te dar inteiro
meia laranja sem suco
ressecada de tão exposta que está
meio sorriso
palhaço sem picadeiro
meio abraço
meio beijo
silêncio inteiro
pregado no rasgo do coração
saudade enorme
mexendo e corroendo a ansiedade
a vida me separendo de você
trancando as portas
das quais os nossos corações
suados da luta
forçaram a fechadura
Lâmpadas quebradas
Cegando nossos caminhos sem atalho
sangrado, retalhado está o que sinto
O coração à beira de um colapso
Outro cigarro...
O pigarro arranhando a garganta
que não grita
porque a palavra de tão vã
se perde arrastada pelo vento
vontade louca de correr
e socorrer o que nasce em mim por você
Onde está você agora
Quando mais necessito do seu abraço
do teu amasso?
Um trago ardendo o estômago
Entupindo o pulmão
a mão trêmula apartando a caneta
que cambaleia pelas linhas sem sentimento
Coração apressado
buscando o ar puro
roubado pela fumaça
de tantos cigarros mortos no cinzeiro
Alma calada, colada
querendo romper os limites
que nos foram estabelecidos
olhos cansados
deixando fluir o que sinto
sem ritmo
sem lógica
sem definição
Boca entreaberta
deixando que a dor escape
e morra nas curvas de cada letra
que jorra do peito
e se espatifa sobre o papel
Corpo dolorido
deixando que a saudade envelheça
e a madrugada me surpreenda acordada
com os olhos vermelhos de sono
Coração apunhalado
flechado
querendo esgotar
o que incomoda
Não sofrer
porque este é o caminho escolhido
cheio de altos e baixos
pedras e poeira
mas amar até o fim
sem medo, sem freio
Amar até que as forças se esgotem
e a morte me separe de você
O teu dizer:
9.10.04
Sensação
Ah, imensidão isolada de tudo
O que paralisa o meu sentir
Ah, sensação de inutilmente
Querer o teu sentir
Ah, impressão de estar
Apenas por não partir
Ah, coração
A ponto de explodir
O teu dizer:
15.9.04
Ilusão
E o que há para ser chorado
Que já não tenha sido derramado
Em plena multidão?
E o que há para ser lembrado
Que já não tenha sido desprezado
Na dor cruel da separação?
Então, o que há para ser esquecido
Que conserva o fogo eterno
No meu coração?
São perguntas sem respostas
Doce ilusão.
Louise Tommasi
Próximo Ato
Vem depressa
Se te interessa
Viver essa peça
Da nossa paixão
Vem largado
Arfando, suado
Com o corpo vibrando
De amor e tesão
Mas vem sem demora
O instante é agora...
Porque no próximo ato
Com certeza
Não contraceno com você
Louise Tommasi
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